A Engenharia por trás do meu Silêncio de Março
- Sofiatti Gestão Ambiental

- 17 de mar.
- 3 min de leitura
O silêncio, para quem trabalha com estratégia, raramente é ausência; geralmente é imersão.
Em outubro, a Sofiatti já estava em Porto Alegre para atender a temporada de um cliente antigo. Estava "em campo", mas sem base estabelecida. Quem gere ativos sabe: operar sem uma base sólida é um desafio que drena energia e testa a paciência. Entre os desafios sociais de final de ano, os festejos de encerramento e a logística complexa do período de aluguéis na praia, preparamos o terreno para o movimento definitivo: a retomada do imóvel próprio, no fevereiro próximo.
O Cronograma de Ferro vs. A Realidade
O plano desta mudança era uma peça de engenharia de precisão: a devolução do espaço do depósito em Caxias, a entrega de chaves e a vistoria em Canoas. Tudo foi planejado; os tempos estavam sincronizados. Você acha que deu certo?
É claro que não!
Aos 45 do segundo tempo — 21h de uma sexta-feira — a falta de retorno de uma peça-chave da operação (o vistoriador da terceirizada) fez o castelo de cartas balançar. A decisão era: bancar a operação e arcar com os prejuízos subjacentes previstos, ou reformular tudo e assumir custos adjacentes?
O ponto crucial da decisão foi o risco sobre a oportunidade de ruína. Relembrei que "a falsa sensação de bem-estar precede a ruína" (Provérbios 16:18) e que "há caminho que parece reto ao homem, mas o seu fim são os caminhos da morte" (Provérbios 14:12).
Às 22h, decidi pelo recuo estratégico: depósito renegociado, mudança adiada e empreiteiro dispensado. O final de semana de organização tornou-se um hiato de espera.
Gestão de Variáveis em Tempo Real
Na segunda-feira, não havia luxo para o luto logístico; tínhamos reuniões e apresentações de propostas. O que salvou a operação não foi a sorte, mas dois pilares de Governança:
Flexibilidade de Ativos Humanos: Escolher parceiros flexíveis o suficiente para entender que, em grandes movimentos, a rigidez quebra, mas a agilidade resolve. "A resposta branda desvia o furor" (Provérbios 15:1).
Gestão do Emocional sob Pressão: Gerir variáveis externas é técnico. Gerir o próprio emocional enquanto se decide o destino de um patrimônio é o "Capital Invisível" que ninguém ensina nos livros. "O homem de espírito calmo é melhor que o forte" (Provérbios 16:32).
O Desafio das Variáveis e a Necessidade de Agilidade
Terceiros falham, prazos esticam e o emocional oscila. A persistência aqui não foi "força bruta", mas sim Gestão de Variáveis. Prever o erro do outro e ter o Plano B pronto é o que mantém o patrimônio (físico e mental) protegido.
Esta necessidade de previsão é crucial no momento atual. Mudanças legislativas súbitas afetam nichos específicos e geram cadeias de impacto que podem paralisar negócios. Somado a isso, os conflitos bélicos internacionais pressionam a economia do país, exigindo que as empresas tenham uma agilidade de adaptação sem precedentes. Quem não tem governança, sucumbe à pressão externa.
A Lição
Se eu não fosse capaz de governar o caos da minha própria transição, como poderia gerir o patrimônio de terceiros? A coerência entre o que se prega e o que se vive é o ativo mais caro do mercado atual.
Hoje, estabelecida no meu território, olho para o silêncio de março com a satisfação de quem não apenas sobreviveu à transição, mas a governou. Volto ao jogo com uma convicção: a Ordem não é um destino, é o protocolo de quem decidiu não ser mais atravessado pelas circunstâncias.
Estou de volta. E a ordem, agora, é a regra.
Sofiatti | Governança & Estratégia
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